Aguinaldo Do Nascimento
RESUMO
Este
texto tem por objetivo analisar as relações sociais e os elementos
mitopoéticos na novela “Duelo”. Desta forma, evidencia-se a quebra do
ser-social, a busca da reestruturação da família como instituição no
sertão brasileiro, o ethos e o pathos do homem em um espaço labiríntico,
a ânsia do devir e a animalização do ser. O espaço como travessia,
busca de outras ordens, da vinculação do homem com as instituições
sociais e a organização conceitual deste para com os elementos que o
universalizam.
Palavras-chave: ser-social, família, labirinto.
1. Introdução
A
narrativa “Duelo” traz a consistência do aspecto cultural e da formação
da instituição família como base das relações para o homem sertanejo. A
palavra “duelo” significa o confronto direto entre dois indivíduos, com
regras bem definidas e testemunhas para que tudo ocorra de acordo com o
que tenha sido estabelecido. Na narrativa de Guimarães Rosa, esse
embate ocorre em não-lugares e as estratégias se formam ao longo de um
jogo.
A estória inicia-se de forma pacata, com pessoas pacatas,
mostrando a linearidade das instituições sociais: casamento, religião,
profissão. Em um dia não muito bom (um dia de nhaca, Sagarana, página
158,1984) Turíbio Todo se depara com uma cena de adultério envolvendo
sua esposa( Silivana) e o Cassiano (ex-anspeçada do 1º pelotão). Há,
então, a quebra da linearidade institucional e a procura do resgate da
condição primeira: o homem em seu lar, o casamento como “lugar” social
que dignifica e é sacralizado pela própria ideia de sociedade. Turíbio,
enquanto ser-social, toma a atitude aparentemente drástica e imprópria,
porém aceita como código de honra, mesmo disfarçado, pela própria
comunidade: decide “lavar a honra”. Nisso, há a busca da reestruturação
da ordem social, a busca da linearidade outrora desfeita.
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