terça-feira, 9 de agosto de 2016

Meu ingá....







Meu ingá...



No tronco do velame, no meio da lama rachada,
Oiteiro de um lado, açude minguando, a estrada de barro
E a tapera vazia...
Bacurau na porteira cantando sozinho,
Na boca da noite, o ingá descansava,
Mirava arrolado no estendido baixinho, rolo de jurema preta,
Seivado, a capoeira toda escura, sem olhos de nada,
Vereda e garrancho no partido.
Passei pela mata burro, vou de nambu, no cascalho,
Bargens de algarobas no chão, procurei seguir em frente,
Percebi que o ingá descansava...
Aroeira no caminho, muçãbeleiro fazendo moita,
Pissarreiro estendido e pegadas no chão,
Era um mundo cinzento, crispado, estiquei na pisada,
Barro batido e espinho, serrote fendado, graveto ralo e miúdo,
Bicho bulindo, roliço...
Aportei no lugar em tempos idos, uma sangria,
Lua minguante não mexia mais nada, fui indo...fui indo...
Sem saber do destino que tinha, atinei pra valorar:
Ao ingá, depois de tudo isso eu vinha,
Da velha jornada, descansar.

                                                                         Marx Millan Araújo Gadêlha




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