quarta-feira, 21 de maio de 2025

EU E OUTROS MOMENTOS

 


As novas nuances da sociedade, partilhar os valores que nos cabem e fazer com que tudo possa parecer fluído. São ideias que hoje podem ser consideradas normais, mas nem sempre foi assim. Pensemos em fases e formas de ver o mundo. Pensemos também em sentimentos de solidão e invasivos. São fatores que nos permeiam e que fazem com que estejamos mais ou menos dentro dessa nova forma de viver a vida.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Meu ingá....







Meu ingá...



No tronco do velame, no meio da lama rachada,
Oiteiro de um lado, açude minguando, a estrada de barro
E a tapera vazia...
Bacurau na porteira cantando sozinho,
Na boca da noite, o ingá descansava,
Mirava arrolado no estendido baixinho, rolo de jurema preta,
Seivado, a capoeira toda escura, sem olhos de nada,
Vereda e garrancho no partido.
Passei pela mata burro, vou de nambu, no cascalho,
Bargens de algarobas no chão, procurei seguir em frente,
Percebi que o ingá descansava...
Aroeira no caminho, muçãbeleiro fazendo moita,
Pissarreiro estendido e pegadas no chão,
Era um mundo cinzento, crispado, estiquei na pisada,
Barro batido e espinho, serrote fendado, graveto ralo e miúdo,
Bicho bulindo, roliço...
Aportei no lugar em tempos idos, uma sangria,
Lua minguante não mexia mais nada, fui indo...fui indo...
Sem saber do destino que tinha, atinei pra valorar:
Ao ingá, depois de tudo isso eu vinha,
Da velha jornada, descansar.

                                                                         Marx Millan Araújo Gadêlha




Marcadores:

sábado, 16 de julho de 2016

Ensaio sobre contos potiguares





O tortuoso tempo no conto SEU MANOEL DO RIACHÃO de Manoel Onofre Jr.

                                                        Aguinaldo do Nascimento Silva



RESUMO: esse pequeno ensaio tem por premissa analisar o conto Seu Manoel do Riachão, presente no livro Chão dos simples do escritor norte-riograndense Manoel Onofre Jr. a partir das relações e conceitos do regionalismo apontados por Ligia Chiappini, das observações sobre o narrador feitas por Walter Benjamin.

Palavras-chave: tempo, memória, regionalismo



O regionalismo passa pela vertente do que não se pode dizer que seja uma linha entre o moderno e o antigo. Em se tratando de literatura, os mesmos valores que se pode atribuir ao legado do passado, pode sim ser expoente do presente. No que se refere à estética e ao modo de expressão vinculados às análises sempre atenuantes de que esse tipo de texto se move a partir de acontecimentos locais e que assim se considera uma parcela da escrita como reprodução do regional em si mesmo, as crendices, os costumes, superstições ou modismos de um determinado lugar vão se inserindo em razões que passam do particular para o universal.
Desde o romantismo, que buscava a identidade do nosso povo através de valores regionais e da descoberta de setores com seus costumes e modas, o regionalismo na literatura percorre momentos de maior e menor aceitação. Pensando a literatura como universo da palavra, o dizer e a procura de dizer o que se trata de um outro lado: o lado do “fora”. Extensão aceita como proposta em si mesma, os valores e formas que compõem a escrita são, assim, o inesgotável percurso de ideologias em forma da palavra. Aceitando essa literatura como condição do homem de estar no mundo, a escrita regional perfaz o caminho dos grandes escritos e permanece viva entre tantos saberes que devem ser evidenciados. A relação entre o romance e contos urbanos e o dito “regional” se confunde uma vez que os elementos diferenciados na verdade se buscam numa dicotomia irreal que faz prevalecer as intenções do sistema que promove o erudito, clássico, aceito como modelo, do ocasional, tradicionalista, tido como momento.
Nos estudos sobre o regional, Ligia Chiappini aponta-o em destaque como “qualquer livro que, intencionalmente ou não, traduza peculiaridades locais”. Essas peculiaridades servem de base para proposições acerca da literatura regional e formam os critérios do que se deve observar e analisar. Entretanto, do que se servem as estórias no tocante ao regional? Elas percorrem cantos e vozes que elucidam momentos das histórias, elegias de um povo, memórias e sentimentos que se podem dizer universais. Ainda citando Ligia Chiappini, os romances e contos regionalistas, são estórias “constitutivas...entre nação e região, oralidade e letra, campo e cidade..”. Sendo assim, vale pensar esse modelo como instrumento que verbaliza mitologias e condições que se perpetuam em locais que dizem a história de um determinado povo.
Partindo desse ponto de vista, de que o regional traduz as alegrias, sentimentos e tradições de um povo, iniciamos análise do conto “Seu Manoel do riachão”, do escritor norte-rio-grandense Manoel Onofre Jr. Tido como um dos grandes expoentes do conto regional no Rio Grande do Norte, Manoel Onofre Jr. escreve em “Chão dos simples” uma coletânea de contos, lendas e fábulas que versam sobre a vida no interior, personagens pitorescos, tradições e lembranças. A memória pode ser tida como elemento principal na formação das estórias e nela reside a linha condutora dos traços que formam a cultura e sobrevivência de um setor social rico em história e presente na formação dos valores do presente.  Os momentos elucidados pelas estórias são em si as relações primeiras da construção da base que forma o povo do interior do Estado, mais especificamente de Martins, cidade natal do escritor. Nesse mundo verbalizado dos fazeres e saberes de um povo, Manoel Onofre Jr. recorre ao causal e as conotações do espaço e do tempo, sendo esse último o verdadeiro viés do que se pode considerar as formas de relação com o mundo e com os outros. De acordo com Blanchot em “O livro do por vir”, “A palavra literária carrega em si um porvir, um ainda não, marca de sua impossibilidade”. Dessa forma, ainda que de modo notoriamente simples, a palavra nos contos do escritor traz as marcas de um tempo fora do plano do cronológico, possibilitando as demandas do passado e as análises do presente, das transformações, dos valores, das heranças culturais e memoriais. Ainda segundo Blanchot:


O tempo da escrita é um tempo em que nada começa, em que nada se torna presente, em que nada tem uma primeira vez.


As relações dos escritos com o tempo perfaz um jogo com a memória, escolhendo os itens corretos para que possam dizer e redizer os elementos necessários às transformações da história e da permanência de momentos, o que por si reinicia o diálogo entre a literatura e o mundo. As notadas circunstâncias que formam a escrita literária são, sim, as formas de vivenciar os pontos de encontro entre o mundo concreto e o mundo da literatura, esse universo verbalizante do fora, que conserva em si o desdobramento do signo e condiz com o revigoramento dos seres e das coisas. Assim Anne-Lise Nordholt, em seu livro sobre Blanchot diz:








O mundo não desaparece na escrita, mas se desdobra no outro de todos os mundos.[...] a escrita nos fala dos seres e das coisas, mas na medida em que eles estão desdobrados em seu reflexo. Ela fala do mundo invertido: o mesmo mundo, mas com outro signo. (A experiência do fora, Tatiana Salem, página 26).


Os mundos se desdobram e se perturbam para que tenhamos os reflexos do porvir, do vir a ser que se faz nas realidades ainda em transição. Os momentos silenciados muitas vezes pelas transformações do homem e do seu modus vivendi se traduzem nessa possibilidade do retorno em escrita, desse universo literário do fora.O regionalismo de Manoel Onofre Jr. traz essa perspectiva de que tantos fatores contribuíram para que transformações se iniciasse no sertão nordestino, porém tantos valores se perscrutam nas ações e atitudes destes que vivem naquele lugar. O espaço da memória está para todos os lugares, em todas as cantigas e em todas as convicções mitológicas católicas que perfazem os temores e as mudanças esperadas, bem vindas e até atenuadas com o porvir, o que virá na forma do Deus dará. O homem em seu trânsito por si mesmo, revendo a perpetuação dos atos morais e até amorais que fizeram de uma época retrato dessa. O homem humano e voltado para o outro como verossimilhança de momentos e tormentos que tornam senhores e legados capazes de reproduzir um sistema tortuoso e triste. Um homem pobre de uma geografia construída nas formas do colonialismo e capitalismo. Dessa maneira, Ligia Chiappini nos diz:


O regionalismo lido como uma tendência mutável onde se enquadram aqueles escritores e obras que se esforçam por fazer falar o homem pobre das áreas rurais, expressando uma região para além da geografia.. (Do beco ao belo: dez teses sobre o regionalismo na literatura, página 157).



No conto estudado, tudo começa com a espera e a memória de porvir: o tempo tortuoso em que se dá a lembrança e a esperança. Seu Manoel do riachão espera. Mas não espera a toa, uma vez que está resguardado por um elemento mais do que certo. É dia de São José. Sertão seco. Esse tempo é, sem dúvida, de esperança. A esperança considerada por todos da região como promessa cristã de dias melhores. O sertão está seco, a fala está seca, a memória não. Seu Manoel espera no alpendre como um rito que se repete a cada ano e que será um porvir de tudo o que pode ser melhor para si e para os seus. Naquele lugar em que espera, as lembranças são eternas e retornam sempre para que se façam otimistas e detentoras de valores que nunca se acabarão. Mas o céu era poucas nuvens passeando sob o azul. Era o diabo. Nesse momento, há uma dissolução do que se entende como esperança e se transforma em desconfiança. Porque se não viesse assim esperada a chuva, tudo se transformaria em lamentação e início de um novo ciclo. O retorno do porvir que se torna fatigante todos os anos e que faz com que o homem do campo de desdobre em trabalho e espera. Melhor nem pensar naquilo. O texto retrata o sem sentir da visão do homem sobre si mesmo e da responsabilidade que tem para com os outros e para com a sua região: o gado ia morrer, o povo do Riachão ia virar retirante.
E começa um ritual da espera em que tudo pode se considerar. Seu Manoel levanta-se, vai ao armazém, pica fumo, toma café, pita o fumo, mas a ideia de que a seca assolaria seu Riachão não lhe sai da cabeça. Ele percorre os elementos constitutivos dos valores sertanejos, um homem que ainda guarda as memórias do lugar. Na sua rotina, não deixa de prestar atenção ao que acontece nos momentos cotidianos, daqueles que fazem seu dia. O narrador conta como um lapso de sussurro o que se faz naquele lugar, naquele momento. Ele revela aos poucos as relações entre seu Manoel e o Nego preto que veio do terreiro em busca de agrado. Nisso, fica claro o encontro do antigo, das situações coloniais e das buscas de memórias coletivas que se fazem como cantiga das antigas senzalas, transformada em relações de bom grado e de fartura, ora comemoradas, ora desconsideradas. Ainda lhes restam os temores dos seus, num tratamento evidentemente casual e repetitivo do que seriam as relações senhor-menino-escravo.
Mas eis que no alpendre novamente, volta a esperança de que choverá naquele dia. A narração vai ser tornando tinta, jogando cores ao redor de tudo. E já era quase quatro da tarde...pois a sombra do alpendre chegava ao extremo do terreiro. Sobremaneira, as considerações do conhecimento do homem comum, do homem do campo é apontado como forma de vida e de experiência. A experiência de quem conta, de quem percorreu estradas e viveu histórias. O senso prático é uma das características de muitos narradores natos.(Walter Benjamin, o narrador, magia e técnica, arte e política, página 216). Mas a voz do dia, da rotina lhe chama a atenção quando da latada de trás vinha a cantiga da cozinheira. E assim, seu Manoel se retrai a ouvir o que seria o chamado para os afazeres do cotidiano, daquilo que pratica a cada dia e que o faz pensar em como manter tudo do jeito que está. E essa cantiga retrata a esperança de que tudo continuará e que as coisas se ajustarão. O desejo de que tudo se faça como um retorno e se transfigure em condição de vida. Mesmo percebendo tudo o que estava ao seu redor, seu Manoel não deixava de pensar e calcular essa chuva que não vem. Mas ela não vem como muitos anos e muitos meses, desses que deixam o homem do campo pensativo e triste, vertendo crendices para que tudo esteja como o desejado. A narrativa caminha a passos de vitória do que pode ser que chova, as ladainhas de bem aventuranças cantadas nos casarões que se transformam em retorno para todos os que creem. A escrita é maneira boa do contar do povo a tradução das tradições orais. Nessas estórias, cabem as lamentações e os acertos, as descobertas e pontuais encontros do que pode ser verdadeiro, saudosista e memorial. Ainda citando Walter Benjamin:

...entre as narrativas escritas, as melhores são as que menos se distinguem das histórias orais contadas pelos inúmeros narradores anônimos. (id, página 214).

Parecia tudo a favor. Seu Manoel alegra-se com a possibilidade da chuva, em um tempo necessário a sua vinda. Ele permanece inalterado com relação a sua rotina e percorre todos os sinais de que tudo está como todos os dias no Riachão. As trovoadas chegam como sinal de que este será um ano diferente. Eita, pai da coalhada. Pudera comemorar. A chegada dos anúncios de que seria mais do que certo o tempo a seu favor. As memórias se retratam como sinais de uma determinada região, as crendices e lembranças que se renovam a cada ano. Dessa forma, busca-se a perpetuação do tempo movido as estórias contadas em cantigas e cordéis, dos sonhos rompidos com os lamentos, entretanto do valor conquistado da esperança. Seu Manoel janta com a família reunida, e certo de que haverá chuva, mandou partir o queijo de manteiga que havia ganhado de presente no mês passado. Um ícone da região, um sabor de memória, dos trabalhos com o gado, dos mercados que transitam pelo sertão, o queijo manteiga, sabor de um lugar e de uma história, para momentos especiais, guardado desde mês passado para compensar a espera do momento tão desejado. E a chuva vinha zoando perto. Ele sabia que ia acontecer e tentava não deixar perceber que isso era certo. Os sinais já anunciavam isso: alvoroço dos animais no terreiro, o boi escramuçando, o serrote da frente branquejou. E eis que como que repentinamente a chuva deu meia-volta e seguiu direção norte. Somente assim, a narrativa utiliza-se de uma simples colocação: a esperança que retorna é a mesma que diferencia a tomada de decisão. Os indícios eram tremendamente sérios, tudo estava de acordo? Ou seriam esses sinais desejos e retornos de memória do seu Manoel? A comunicação que se fez em pontos de um lugar e de uma dança da memória, se verte para o porvir novamente. O narrador se coloca como escrita de castigo ou verdade para o personagem. Como forma artesanal de comunicação, a narração se manteve sempre presente nos momentos de constatação e de perpetuar as memórias de um povo. Walter Benjamin, ressalta:

A narrativa, que durante tanto tempo floresceu num meio artesão – no campo, no mar e na cidade – é ela própria, num certo sentido, uma forma artesanal de comunicação. (id, página 221).

No sentido da narrativa regional, os olhares sobre o momento se tornam mais e mais coerentes quando se fazem traços de uma cultura. As relações consensuais entre o olhar modificador do narrador e as linhas de memória presentes nas estórias trazem as formas de casualidade contidas nos modos de conhecimento do homem comum, em contraste com as formas de  perceber da ciência. As formas narrativas se dão com a fluidez necessária a manutenção de um contar singelo e que refaça o sentido do que foi outrora a construção de uma cultura.  Nisso, a manutenção das formas cria o retorno, o porvir que se faz com clareza. A nossa vem amanhã. Seu Manoel dá forma ao estado de vigilância que nunca muda e que retoma o elo que tem com seu povo e sua cultura. Ela não veio no dia seguinte, nem nos demais, contudo ele permanece inalterado com relação ao fato de que manterá seu momento de esperança.
Há de se entender que essa cisma da chuva que não vem permanece e teima em relevar os temores de seu Manoel. Contudo isso não desfaz sobremaneira a crença de que em breve se dará o dobrar do tempo em forma de sinais e acontecimentos concretos. O tempo não ata nem desata, tem cisma com seu Manoel que não entende os porquês de tudo isso. A relação do homem com sua forma de vida, as aventuras e desventuras e todo o poder do ícone senhor da fazenda do Riachão faz com que se pense que há algo que traduz essa teima do tempo em relação àquele lugar. Percorre, então, a crendice de que nem tão cedo a chuva chegará, uma vez que esse homem representativo de tudo o que se dá naquele lugar também guarda um direcionamento místico com a natureza e tudo que ela traz ou não traz. E alguém das redondezas canta o mistério de seu Manoel do Riachão, questionando-lhe os pecados e verbalizando sua desgraça. A manutenção de seu estado de espera que vai se espraiando por todo o canto do Riachão. Que pecados são os teus? Cantam os versos desse outro que tenta explicar o fato, o sempre presente fato de que o Riachão não passa de um espelho d’água no terreiro.
Na escrita de Seu Manoel do Riachão, o autor impõe a cisma de que a relevância da memória traduz os desejos e cantares de um povo em tempo de seca, buscando livramentos dos tormentos que os cercam. No alpendre, um homem representa a resistência e a persistência em acreditar que algo bom irá acontecer, no dia de São José, mesmo que o sertão esteja como sempre seco. Segundo Tatiana Salem, citando Deleuze o que é atual é sempre presente. A atualização dos saberes e ritos do sertão, o próprio Seu Manoel representa. Ele caminha como a cantiga e sofre enquanto espera, mas sempre espera. Vê os sinais que se aproximam e tem certeza de que amanhã ou depois tudo dará certo. Contudo o tempo tortuoso dribla-lhe o espaço e o momento. Esse mesmo tempo que se adivinha e se apresenta certo, se faz demais tortuoso em sua leve mania de trazer esperança.






REFERÊNCIAS:

BENJAMIN, Walter. O narrador – considerações sobre a obra de Nikolai Leskov, in: Magia e técnica, arte e política. Ensaios sobre literatura e história da cultura. 8ª edição revista, Editora Brasiliense, São Paulo, 2012.

CHIAPPINI, Ligia. Do beco ao belo: dez teses sobre o regionalismo na literatura. Estudos históricos, Rio de Janeiro, vol. 8, 1995, p. 153-159.

LEVY, Tatiana Salem. A experiência do fora: Blanchot, Foucault e Deleuze. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2011.

ONOFRE, Manoel Jr. Chão dos simples(3ª edição revista e ampliada). Mossoró, RN, Sarau das Letras, 2014.



Marcadores:

sábado, 9 de janeiro de 2016

Procura












Procura



Você pode sentir o amor nesta noite? 
Quando guerreiros baixam as armas e reis se tornam súditos? 
Assim encontraremos o caminho simples de ser feliz. 
Sob o céu estaremos esperando pelas maravilhas que a vida pode nos trazer 
E buscaremos incessantemente pelo pedaço de paz 
Que muitos procuram, mas poucos encontram.




Marcadores:

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

o tempo










Deixo a ti o meu sorriso pois das lágrimas já levastes parte...
deixo vestígios de tudo que fomos e que tentamos ser...
o tempo esse soberano e insano levou-me tudo 
exceto você que cabe tão somente em tudo que sou.

Marcadores:

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

O eterno retorno















Não sei a verdade sobre a vida
Mal sei o que se passa nesse mundo
Elemento sempre rotundo
Descubro das histórias meu destino


Nem consigo ver mais adiante
Nem consigo ter ou ser menino
Desfilo meus olhos em sentimentos
Arranjei tormentos e mentiras

Hoje, sinto-me no final de tudo
E fico a esperar por renovações
Não sei se isso é verdade
Qual história seria verdadeira?
Estou apenas aqui, pensando
No eterno retorno....

Marcadores:

sábado, 29 de agosto de 2015

O clown e o sonhador







O clown e o sonhador

Quando o tempo se fez pouco
O tempo se fez louco
Estava em mim aos poucos
E ouvia vozes alento

Gostei de tudo
E sentindo frio
Aqueci meu coração
Tremendo os lábios
Estive no tempo
E descobri no vento
Os sabores da brisa
Do meu coração

Era um palhaço apenas
Um pedaço dos sonhos
Uma parte de mim
Que abrigo
Um sonhador assim
Amigo
Vagando a esmo
Pelos dias afora
Vem de vez em quando
Sonhando, levando-me
Pelas veredas de uma vida inteira.

Aguinaldo Nas



Marcadores: